PROBLEMA A RESOLVER
A operação segura e eficiente da rede de transmissão depende da capacidade de aprender com as perturbações já ocorridas no Sistema Interligado Nacional. Falhas em equipamentos, atuações inadequadas de proteção, eventos climáticos, interferências externas e erros durante intervenções podem provocar desligamentos, ampliar tempos de recomposição e gerar impactos operacionais, financeiros e regulatórios. Quanto mais complexo e interligado se torna o sistema, maior a necessidade de transformar esse histórico em conhecimento aplicável à manutenção e à proteção dos ativos.
Toda semana, o ONS publica a Síntese Gerencial das Perturbações Ocorridas no Sistema Interligado Nacional, relatório que reúne os desligamentos forçados na rede e analisa os eventos de maior relevância. Cada edição apresenta os dados básicos da ocorrência, os agentes envolvidos, a descrição técnica, a carga interrompida, a recomposição do sistema e as providências determinadas, com responsáveis e prazos. Publicado continuamente ao longo dos anos, esse conjunto de relatórios forma um amplo registro técnico do desempenho da transmissão brasileira e das respostas adotadas pelo setor.
Esse conhecimento, porém, está disperso em centenas de edições semanais, redigidas em texto corrido e com variações de linguagem ao longo do tempo. Sem uma forma estruturada de analisar o acervo em conjunto, é difícil identificar quais falhas mais afetam cada tipo de ativo, quais causas se repetem mesmo após as providências adotadas e quais medidas apresentaram melhores resultados. Também se perde a oportunidade de comparar práticas entre empresas, considerando as proteções acionadas, os tempos de eliminação e normalização, as providências implementadas e os resultados observados em situações semelhantes.
Como consequência, as decisões de manutenção ainda dependem fortemente de planos periódicos e da experiência individual, sem incorporar de forma sistemática as evidências acumuladas pelo próprio setor. Isso pode levar a inspeções pouco orientadas pela criticidade real, à repetição de modos de falha já conhecidos, à perda de memória técnica com a movimentação das equipes e à exposição evitável a indisponibilidades, parcela variável e riscos à segurança operativa. Organizar esse histórico e torná-lo consultável permite aprender com ocorrências anteriores, disseminar melhores práticas e apoiar decisões técnicas mais consistentes.
RESULTADOS ESPERADOS
- Agente de IA de melhores práticas (entregável central): assistente conversacional que responde a perguntas técnicas em linguagem natural, apoiado exclusivamente no acervo indexado e sempre com citação da edição e do trecho de origem. O agente deve induzir a boa prática a partir da evidência: identificar quais medidas corretivas foram seguidas de ausência de recorrência, quais ajustes e filosofias de proteção apresentaram melhor desempenho e quais recomendações o ONS reitera com mais frequência, apresentando cada recomendação com o grau de sustentação documental correspondente
- Assistente de conformidade e defesa técnico-regulatória: incorporação dos Procedimentos de Rede vigentes como camada normativa, relacionando cada tipo de evento aos submódulos, responsabilidades e prazos aplicáveis. A solução deve subsidiar a elaboração de respostas e defesas dirigidas ao ONS e à ANEEL, reunindo automaticamente o histórico do ativo, eventos análogos no setor, desempenho comparado de proteções e dispositivos normativos com citação de fonte. Toda saída é minuta sujeita a revisão obrigatória das áreas técnica, regulatória e jurídica
- Pipeline de ingestão e extração com rastreabilidade integral: leitura automatizada das edições semanais, com segmentação por perturbação, conversão de tabelas em dados estruturados e interpretação do texto livre para preenchimento da ontologia. Cada entidade extraída deve permanecer vinculada ao relatório, à seção e ao trecho de origem. O pipeline deve ser incremental, incorporando cada nova edição sem reprocessar todo o acervo
- Taxonomia padronizada de causas, modos de falha e desempenho de proteção: harmonização da linguagem heterogênea usada ao longo dos anos em vocabulários únicos de causas (natureza, fauna, vegetação e queimada, terceiros, falha de componente, falha humana em intervenção, causa indeterminada), modos de falha e comportamento dos sistemas de proteção, com distinção rigorosa entre atuação correta, incorreta, recusa e bloqueio
- Identificação de padrões históricos de falha: agrupamento e mineração do acervo para revelar recorrências por família de ativo, faixa de tensão, região geoelétrica, agente, sazonalidade e condição climática, com séries temporais que indiquem se determinado modo de falha está em crescimento, estável ou em declínio no setor
- Modelo de criticidade: classificação dos modos de falha por severidade, combinando frequência histórica, gravidade da consequência elétrica, tempo de eliminação e normalização e exposição financeira e regulatória, de modo a produzir priorização defensável para o plano de manutenção
- Evolução dos modos de solução: linha do tempo que mostre como o tratamento de cada tipo de perturbação mudou ao longo dos anos, quais soluções foram progressivamente abandonadas, quais se consolidaram como boa prática e a efetividade observada de cada medida, medida pela recorrência ou não do mesmo modo de falha após sua adoção
- Comparação de práticas entre empresas do setor: visão de como cada agente responde a cada tipo de perturbação, com base exclusivamente no que consta dos relatórios, evidenciando repertório de soluções, desempenho dos sistemas de proteção, tempo de normalização, prazo de conclusão de providências e frequência de atrasos na prestação de informações ao ONS
- Radar de reincidência e de providências: vinculação automática de eventos que compartilham ativo, terminal, causa ou modo de falha — detectando reincidências e acompanhando providências determinadas pelo ONS com responsável, prazo e situação. Para as providências atribuídas à companhia, o agente deve funcionar como alerta antecipado de prazo e como fonte de subsídio técnico para a resposta
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Dados de Suporte
Estrutura extraível das Sínteses Gerenciais — variáveis por bloco:
- Dados básicos: Data e hora, número SIPER, ativo e instalação afetados, nível de tensão, UF, agentes envolvidos e agentes afetados com corte de carga.
- Descrição da perturbação: Natureza do curto-circuito, causa (descarga atmosférica, queimada, fauna, falha humana, defeito de componente etc.), tempo de eliminação (ms), localização da falta (km e %), funções de proteção atuadas, êxito do religamento automático, recusa de disjuntor, reincidência.
- Carga interrompida: Agente afetado, carga em MW, data e hora de início, carga restabelecida, data e hora de restabelecimento, duração da interrupção.
- Recomposição do sistema: Equipamento, horário de normalização, forma de recomposição (automática ou manual), equipamento retido em manutenção, tempo de indisponibilidade.
- Providências em andamento: Agente responsável, providência determinada pelo ONS, prazo de atendimento, referência a eventos correlatos no Sistema de Gestão de Providências.
- Agentes sem informação: Identificação do agente e providência aberta por atraso na prestação de informações, permitindo medir a disciplina de resposta de cada empresa.
Acompanhe as datas e etapas do Desafio
Imersão, Refinamento e Contrato
Reuniões técnicas, envio da proposta final ajustada e Assinatura do contrato para início do projeto.
01/02/2027 a 30/04/2027
Outras Datas:
- Lançamento do Desafio: 05/10/2026
- Avaliação dos pitches: 26/01/2027 a 28/01/2027
- Divulgação dos convocados para a Imersão: 29/01/2027